O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, foi enfático ao comentar a nova tarifa de 50% imposta pelos Estados Unidos a produtos brasileiros: “Não faz sentido econômico. Só prejudica os próprios americanos.”
Em entrevista ao Estadão, Haddad destacou o impacto direto da medida na cadeia produtiva americana. “Pense na produção de um avião da Embraer: quase metade das peças vêm dos EUA. E muitos desses aviões são vendidos para lá. O suco de laranja que sai do Brasil é envasado nos Estados Unidos. Se parar o fluxo, fábricas americanas vão parar também. Vale a pena encarecer o café da manhã do americano para fazer política?”, provocou.
O ministro reforçou que o Brasil está pronto para o diálogo e defendeu uma força-tarefa urgente para reverter a situação, que, segundo ele, tem motivação política, não econômica. “A balança comercial americana é positiva em relação ao Brasil. Essa taxação parece mais um movimento eleitoral do que uma decisão racional”, avaliou.
Haddad também lembrou que o governo brasileiro havia sinalizado abertura para negociações desde o primeiro anúncio de tarifa, ainda em 10%. Agora, com a elevação para 50%, o ministro vê uma oportunidade para os EUA repensarem a medida.
“O Brasil quer cooperação, não confronto. Estamos buscando racionalidade, porque esse tarifaço é ruim para todos.”








